
Eloá Rodrigues Teixeira nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 15 de setembro de 1935. Filha do casal Eduardo Rodrigues Teixeira e Paulina Polak Texieira, era a quinta de 6 irmãs e irmãos. Cursou o primário no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias e o ginásio no Instituto de Educação do Paraná. Estudou na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde construiu uma formação intelectual variada e aprofundada. Obteve o seu primeiro grau de licenciatura em Educação Física em 1955, disciplina na qual se destacou através de vários esportes, como basquetebol, voleibol e atletismo, vencendo títulos de campeã, vice-campeã e 3º lugar a nível nacional, estadual e municipal. Depois se formou como Bacharel em Direito em 1959.
Em 1961, já com essa sólida dupla-base, Eloá Teixeira ingressou em primeiro lugar na pós-graduação em Orientação Educacional da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O curso era voltado para as áreas de Pedagogia e Psicologia, e a professora optou por se especializar em Filosofia, graduando-se em 1967. Em 1963, Eloá dedicou-se também ao estudo do jornalismo na UFPR e na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), porém não concluiu a formação. Eloá também cultivava uma paixão íntima por Letras, a qual lhe acompanhou a vida inteira. De 1956 a 1961, mergulhou nas obras de literatura e poesia da Biblioteca Pública do Paraná, na Seção de Belas Artes. Já em 1965, venceu a menção honrosa no 1º Concurso Popular de Poesia do Centro de Letras do Paraná. À primeira vista, observa-se que a sua formação foi eclética. No entanto, as disciplinas estudadas revelaram-se complementares ao longo da carreira.

Com tal afinidade pelos estudos, não é surpreendente que o denominador comum fundamental na trajetória profissional da Eloá fosse a Pedagogia. No final da década de 60, prestou concurso público estadual para ser professora do ensino médio em Educação Física e Psicologia, ficando em 5º lugar para ambas as disciplinas. De 1974 a 1976, assumiu o cargo de Chefe da Divisão Técnico-Pedagógica do Departamento de Educação Física e Desportes da Secretaria de Estado de Educação paranaense. Porém, enquanto iniciava sua própria carreira de professora do ensino médio, Eloá também estabelecia as bases de um trabalho empreendedor que se revelaria fundamental para o desenvolvimento das Artes Cênicas no Brasil, na segunda metade do século XX.
Apesar de não ser formada como bailarina, Eloá Rodrigues Teixeira escolheu a dança como prioridade. Em 1965, participou do I° Encontro de Escolas de Ballet do Paraná, na Reitoria da UFPR, onde assistiu a palestras sobre novas perspectivas de ensino e defendeu uma tese sobre a terminologia em dança. No mesmo ano, graças aos seus amplos conhecimentos na área da legislação, criou a Associação Paranaense de Professores de Ballet, contando com a participação dos principais professores de dança clássica de Curitiba daquela época.
Segundo o estatuto, a associação era definida como “sociedade civil, apolítica, de duração indeterminada e sem fins lucrativos”, com sede provisória na Reitoria da Universidade Federal do Paraná. A sua finalidade era “promover maior aproximação entre os Diretores, Professores e Coreógrafos de Ballet, visando o incentivo da Arte Coreográfica no Paraná e, de modo especial, o ensino”. Porém, devido a desentendimentos internos, destacadamente o questionamento de sua legitimidade profissional como diretora por não ser bailarina, Eloá deixou a direção no ano seguinte, e a associação se dissolveu em pouco tempo.

Longe de desistir, fundou, no mesmo ano de 1966, o Movimento Universitário de Ballet, com sede na UFPR. No quadro dessa nova estrutura, lançou com Loraci Setragni um programa de rádio, “Nós e o Ballet”, do qual foi colaboradora até 1970. Também aproveitou sua formação em jornalismo para publicar artigos sobre dança e educação na Gazeta do Povo e no Diário do Paraná. Neste último, dividia com Loraci Setragni uma coluna dedicada ao ballet, sob o pseudônimo “Lemahel”, divulgando atualidades e críticas de dança ao nível local, federal e internacional. Os artigos foram publicados regularmente entre 1966 e 1970.
Ainda em 1966, Eloá criou o ArtStudio, um espaço localizado na Rua Emiliano Perneta, em Curitiba, que reunia uma escola de artes para crianças e uma casa de chá para as mães. Além de aulas de balé clássico, a oferta de cursos artísticos incluía também pintura e literatura. Em 1967, a professora participou do I° Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Ballet, organizado pela Secretaria de Estado da Educação e pela Fundepar. Em 1971, participou da I° Semana de Educação Artística, organizada pelo Departamento Cultural da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. No ano seguinte, ingressou em um curso de psicodança na UFPR.
Na década de 70, Eloá Rodrigues Teixeira ampliou sua área de atuação, voltando-se para o teatro. Já em 1967, passou a ocupar o cargo de professora de Psicologia Aplicada ao Teatro no curso permanente de teatro da Fundação Teatro Guaíra. Procurou inovar a arte dramática, aliando aulas teóricas e práticas, além de levar peças teatrais ao público. Ao longo dos dez anos, Eloá investiu em um duplo processo pedagógico: por um lado, fazia cursos universitários para aprimorar seus conhecimentos em expressão corporal e interpretação teatral; por outro, esse saber alimentava o trabalho que ela desenvolvia com atores e bailarinos – para várias montagens teatrais e ballets – grupos amadores e profissionais, privados e públicos, não só no Paraná, mas também em outros estados do Brasil.
Em 1973, junto com Antonio Carlos Gerber, Maria de Lourdes Domingues Aguiar e Luisa Helena Barreto Leite, elaborou um plano de implantação de curso de teatro aplicado à educação. Essa formação era destinada a professores de primeiro e segundo graus, com o objetivo de “mostrar a importância do teatro na educação geral”. Além de participar de vários festivais nacionais de teatro colegial, infantil e de bonecos em Curitiba, Eloá fez parte do grupo de criadores da Fundação Teatro da Criança (1977), com o objetivo de divulgar, em colaboração com as escolas, um teatro infantil de qualidade para um público maior, em particular para as crianças de orfanatos. Também, entre 1980 e 1982, foi coordenadora da habilitação profissional “Ator” do 2º Grau do Colégio Estadual do Paraná, um dos primeiros cursos profissionalizantes reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação na área de teatro no Brasil.

Sempre buscando o diálogo do teatro com a dança, Eloá desenvolveu experiências tanto em adaptação de textos como em estruturação coreográfica de peças de teatro e dança. Entre seus trabalhos de direção, sobressaem O Elevador, de César Vieira (1974) – montagem inovadora em que os atores ficavam presos em uma plataforma suspensa – e Viva o Leão Gaspar, de Mara Meren e Fátima Ortiz (1975), que ganhou o prêmio do SNT (Serviço Nacional de Teatro) para o Paraná, na categoria de melhor peça infantil produzida naquele ano. Com sua experiência inovadora e singular, a professora e pesquisadora chegou a assumir a direção de arte e programação do Teatro Guaíra em 1983.
A dupla especialização de Eloá Rodrigues Teixeira em dança e teatro revelou-se ainda mais valiosa na década de 80, quando ela levou seu trabalho em prol das artes ao nível institucional. Assim, em 1980, assumiu o cargo de conselheira fiscal da Associação Paranaense de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões. No ano seguinte, foi convidada pelo Ministério da Cultura para contribuir de forma significativa para a criação do Instituto Nacional de Artes (INACEN). A instituição, que deu continuidade ao Serviço Nacional de Teatro (SNT), possuía autonomia administrativa e trabalhava ao lado da Fundação Nacional das Artes (Funarte) para o desenvolvimento, fomento e pesquisa de artes cênicas.
A missão de Eloá visava especialmente à profissionalização dos professores e dos artistas da dança em nível nacional. Ainda em 1981, foi designada membro do Grupo Tarefa constituído pelo Ministério da Educação e Cultura para elaborar o regimento interno do Instituto Nacional de Artes Cênicas. Viajou intensamente pelo interior do Brasil, visitando escolas e companhias de dança em Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. Seu propósito era incentivá-las a adotar regulamentações e estruturas adequadas para se beneficiarem dos recursos públicos destinados à área. A professora também preparou o terreno para a criação do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Paraná (FITEDECA), do qual foi eleita delegada para o triênio 1982-1984 e presidente da Comissão de Capacitação em Dança.

Mais do que títulos administrativos, os vários cargos ocupados por Eloá Rodrigues proporcionaram a difusão de suas ideias e reflexões críticas. Publicava artigos no Boletim Informativo do INACEN, questionando a prevalência do interesse das escolas no retorno financeiro em detrimento da qualificação artística e a falta de apoio oficial e de verbas para desenvolver as estruturas organizacionais da dança, tanto profissional quanto amadora. Por isso, fazia questão de divulgar seus conhecimentos mediante palestras, como no curso sobre “Dança e Legislação em Vigor”, que ministrou no 1º Festival de Dança de Cascavel (PR), em 1989. Na década de 90, passou a escrever no Dança Hoje, o informativo do Instituto da Dança da Fundação de Artes Cênicas (FUNDACEN), que substituiu o INACEN.
Incansável e visionária, Eloá Rodrigues Teixeira dedicou sua vida à defesa da arte gratia artis. Faleceu em fevereiro de 2018, aos 82 anos de idade, em sua cidade natal.

Autora: Callysta Croizer. Licenciada em História da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne e mestra em História transnacional da École Normale Supérieure de Paris (ENS-PSL). Atualmente doutoranda em História contemporânea na Universidade Paris 8 (IFG Lab/MUSIDANSE) sob a orientação de Armelle Enders e Isabelle Launay. Pesquisa é apoiada pelo REFEB 2025 através da embaixada da França no Brasil.
Referências Bibliográficas:
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MILLARCH, Aramis. “A verdade dos palcos na visão de Marilu e Eloá.” O Estado do Paraná, 18 de agosto de 1984, p. 14.
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———. “A dança e a década de 80.” Dança Hoje, ano III, n° 13, fevereiro de 1990.
WOSNIAK, Cristiane. Balé Teatro Guaíra – 52 Anos de uma História da Dança Paranaense. Associação Brasileira de Apoiadores Beneméritos do Teatro Guaíra, Curitiba, 2023.
